sexta-feira, 22 de junho de 2012

Desencontros


O momento da certeza imbuído de uma realização, 

fez com que me tornasse vagamento completa. 
Iludida pela eterna busca, reproduzo no outro minhas ambições. 

Em posse do que me é mais raro, 
esse, que de mim não faz faz parte, vacila. 

O peso de um possível amor o desnorteia... 

Tolo, com mãos cheias de um pouco de mim,
livra-se dos pesos. 

Pois a parte que te coubera que te acompanhe, 
pois essa não me foi mais incorporada 
E sigo com que me restou.. 


  
   Flávia Eva.

terça-feira, 3 de abril de 2012



Metamorfose em partes


Percebo em minhas partes,
que o êxtase expõem sua
inocência e leveza ;
que sua notaria oposição
revela-se fria e sensata.

Tenho dúvidas sobre o qual
seria o verdadeiro.
O humano equilibrado
faz de suas nuances
o ser integral.
Porém,  não sou feita de pedaços
ao mesmo tempo.

Torno-me toda uma parte,
para conseguinte faz-me-ei outra.
Reconstruo-me doce, leve.
Observo ao redor
a fragilidade dos laços
entre as partes e as pessoas.

Em caráter:
são firmes e rígidas.
porém em virtude,
são capazes seres em metamorfose
formar edifícios fortes?

Entre relações e partes,
Surgem os limites de uma consciência delirante.


                                                               Flávia Eva.

Faxina

Momento de dedico a faxina
hora de expulsar para o papel 
toda imundice de pensamentos, sonhos
frustrações, ansiedade e desejos platônicos.
expor minha fragilidade e todo meu ser inconstante.
o que não presta, se amassa e rasga.
Joga-se no lixo.
Vejo o grande saco preto a minha frente,
tenho uma unica certeza, não existe nada para reciclar
Tudo em mim é custeio e orgânico.



                                                                        Flávia Eva.




sábado, 31 de março de 2012

Voz


Tirando tudo o que é material
sobra minha voz
que isso não sinto como 
material
simboliza meus pensamentos
essa minha voz,
esse silencio.

Sou uma voz
em silencio.


Dizem que isso é alma.



                                     Flávia Eva.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Minha realização em ti




Sinto sua falta como nunca estivesse
vivido um dia longe de ti,
Como se desde o primeiro momento de vida,
Completava-me a alma.


Complacente a sua breve ausência ,
refaço-te em atos e imagens,
reconstruo-te no vazios das minhas lembranças.

Vagueia-me a madrugada,
a busca de um leve consolo a memória: o sorriso seu,
auto realizado a frente da minha face,
translúcido como o vazio ante minha realização em ti.


Minha existência parece-me nula e opaca
ao recordar que alguns dias,
ainda não havia ingressado no meu mundo.


Contudo, fez-me concreto o encontro
para a mínima distância me faça incompleta.

                                                                     Flávia Eva. 


O olhar poético  permite o abuso e a transgressão.
retirando o absurdo da poesia,
resta então, talvez a causa ,
o fundamento racional
o alicerce da escrita.
 Em suma: o seco alfabeto.
Construa sobre
Ode ao absurdo que permite a inspiração.

                                                             Flávia Eva.


Deus me livre de escrever poesia,
só preciso expulsar para o papel
os batimentos acelerados que pulsam
as palavras do meu ser.

                                          Flávia Eva.

Cárcere

Maldita compaixão,
fez-me refém de um sentimento de culpa,
que tornando um ato impulsivo,
a minha consequente auto prisão.


Sua convicção na minha culpa,
fez minha límpida consciência
crê-se estúpida e pesada.

                                                      Flávia Eva.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Preciso de alguém para me esquentar

vejo você ao meu lado

e não tenho dúvidas:
melhor pegar outro cobertor...


Relação unilateral é sempre a contra-mão para alguma parte envolvida.
Não toque em mim, 
hoje eu mesmo me sou suficiente. 

Percebi que a indiferença é um dom. Faltamente não me foi concedida tal aspecto.
Resta-me desde então, a aceitação dessa convivência conflituosa com os que foram abençoados.
Hoje decidir que não serei mais a razão dessa unidade.
Renego a insistência em querer ser feliz a seu lado...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Fatia de vida : Ano

O tempo em seu galopante transcorrer,
ensina aos pequenos seres que habitam a terra,
o quanto somos reféns de nossas vaidades.

Em dimensões desproporcionais,
ao mundo que nos abriga.

Agimos como gigantes,
senhores de nos mesmos.

De tão imenso, chega ao invisível.
Assim somos nos, grande nada de si mesmo.


A visão ofusca a temporalidade,
em fatias de prazer inexploráveis.

Em velocidade constante,
se esvaia a parcela significante,
simbolizada pelo ano.

Vida somada em anos,
os sonhos parcelados em meses,

O sopro eterno tão pequeno que fatia não lhe cabe.

Assim vivi... Cada mínimo de segundo.


Flavia Eva. - 31/12/2010